domingo, 16 de dezembro de 2007

Natal: A festa do capitalismo! Feliz COMPRAS!




As aflições por acúmulo anormal de conforto


Vejo caríssimo. Você amigo lava as mãos nas águas banhadas de interesses impuros. Vejo que ao esfregar teus interesses comuns a você em tua face, acaba por perpetuar um tratado medieval de sangue de origem obscena, pois a ganância nubla teus dias de aparente calmaria, e teus fantasmas não te deixam.
Veja amigo. Veja o preço que está preso à sua pele! Veja a quanto anda o teu último vexame por ser obrigado a sentar-se com os ignorantes. Tua febre e confusão comprada por valores diversos, pedidos aceitos por telefone, enquanto tua mulher dissipa na noite com teu carro de última geração; trabalhadores pagam dívidas às empresas particulares com o próprio alimento que volta às suas bocas, enquanto tua esposa passa com um amante comprado no mesmo ponto de ônibus onde a prefeitura deixou órfão um cidadão. Veja a tua imagem forjada por ditos senhores de bem. Você é tão réu quanto nós. Bebemos o que nos impõe e comemos a cagada que eles fizeram ao mundo, mas não deixe de lavar teu rosto fincado de expressões ensinadas pela globalização. Não deixe de secar tuas costas que são apunhaladas pelo mundo impreciso em que vivemos. Veja amigo, o que não será necessário são as flores para os funerais vincendos, porque a pluralidade de votos favoráveis devasta as terras ingênuas que saboreamos no passado. Teremos que ser enterrados nas terras amaldiçoadas pelas organizações que, como gafanhotos, defloraram a pacificidade. Veja alheio aos teus interesses de oito horas diárias estendidas a mais três sem abono, regidas ao som do chicote do insano instinto de dominação dos “nichos”. Veja que colidimos com nossos princípios, mas buscamos absolvição nas igrejas usuárias do sistema. Encare que até tua fé é paga, quando necessita de ajuda, ou conforto. As tuas preces devem ser as porcentagens exatas da tua purificação, enquanto na porta são comercializados artefatos religiosos por preços caridosos. E não ouse rezar agora, porque não será ouvido. A fome é paga, é criada, é instituída, para que tenhamos os mesmos conduzindo a matança pretérita, porque somente assim a esfera de ação cruel possa ser posta ao patamar de planos governamentais.
Veja o que te fizeram amigo! Tua liberdade caçada em troca dessa constituição demente que rege teus passos e te impede de pensar... pelo menos um pouco. O que te fizeram?
Os respeitáveis senhores de gravatas italianas e de discursos que pouco acrescentam estão empanturrando suas famílias e desmandando aos olhos de um povo que é retido para garantir as safadezas de monopólios invisíveis. São votos de pêsames os que a nossa democracia precisa. Veja meu amigo o estado do Estado. Bombeamos impostos para que ele sobreviva, mas os homens bem apessoados anelídeos provocam desvios de oxigênio por olharem somente a imagem deles no espelho.
Preciso que abandone tuas poses de fotografias e repare os planos de saúde, de capitalização, planos funerais e todas as outras formas de ajoelhar-se para esmolar ajuda seja ela qual for, para que seja atendido. O teu conforto é um prêmio efêmero, que enche tua vida de privações. Veja amigo, talvez, a maior privação seja a impossibilidade de pensar que outros gritam por socorro, e realmente necessitam de atendimento imediato, mas não é interessante ouvir a assembléia manipulada, pois os “doutores” são durões atrás dos gabinetes, porque quando te encaram sozinho berram como bezerros.Vejo que ainda nutre a decadência dentro de ti, mas de certo lavará o rosto e as mãos sujas de dinheiro imundo e mal dividido que financia tua insônia. Desprenda-se da primeira pessoa e conjugue a primeira do plural, porque enquanto nós existirmos poderemos ser capazes de fazer com que o social seja imponente sobre o capital.
Mudando de assunto...
Eu estava pensando em fazer um blog em formato de jornal. Cada um escreveria uma coluna. Cada um doaria um pouco de seu talento.
Krikaaaaaaaaaa!!!!!!!! o que acha?
Kari???
Marcos???
Jana??
e todos os outros amigos que tenho????
Sei lá... poderia ser quinzenal. Cada um escreveria uma coluna sobre determinados temas. Poderia ser qualquer coisa. Tipo: quem escrever sobre cinema, pode criticar a vontade, ou recomendar... Até pensei em uma coluna: FUTILIDADES!
O que acham???

13 comentários:

Kari disse...

Adorei o texto.
Nunca me senti tão bem nas proximidades natalinas. É porque nunca encontrei quem também criticasse esse capitalismo e essa hipocresia do dezembro. E fico feliz em ver que não sou a única que pensa assim...

Quanto a idéia, muito interessante... Muito mesmo!

Beijão

Krika Muniz disse...

Amore amei a idéia... topadissimo... a muito eu estava querendo fazer alguma coisa assim... vamos colocar a mão na massa pra essa ideia sair logo...

Eu odeio o Natal e toda essa hipocrisia consumista...

Beijos!!!

Uma Sobrevivente disse...

Oie Xande...

Adorei a idéia!!!

Eu topo o desafio...

Em falar em desafio, tem um pra você no meu blog...

Bjs

Janaína

carol disse...

natal. natal. não sei por que, mas os natais não são mais os mesmos. -.-'

tipo um jornalll? muuuito legal x)

;*

Só Magui disse...

O dinheiro , pelo menos ,está rodando e fomentando a vida econômica e financeira.Deixa eles.

luma disse...

Porisso que tento me desligar das coisas mundanas!
Alexandre, vi muitos blogues coletivos acabarem.
Que tals colasse aqui, uma vez por semana, textos que gostou circulando pela net?
Boas festas!! Que o espírito do natal lhe traga sentimentos de renovação. Beijus

Reticências disse...

Eu concordo com a Kari, essa hipocrisia de final de ano me dá vontade de pegar um avião pras arábias e só voltar de lá qdo o carnaval passar...

Bjo

Luciana * disse...

Realmente tenho que concordar ser a festa natalina uma festa capitalista, mas não podemos negar que acaba nos fazendo bem. Eu costumava pensar que era só isso mesmo, presentes, dinheiro gasto, lojas lotadas, mas já aprendi a gostar. É só tentar não ser tão radical e olha por outro angulo ;)
Nada do que falaste é mentira, é cruel e é verdade. Não podemos apenas deixar pra lá o que acontece, nem pensarmos que não devemos fazer nada só por que achamos que não tem solução. A unica coisa que não consigo é deixar de aproveitar a minha familia e amigos na noite de natal reunidos e com os olhinhos brilhando vendo os seus desejos capitalistas sendo realizados. Confesso que até me policio a não pensar nas pessoas que não estão tendo nada nem parecido, que não estão sentindo.

E bem, se eu puder ser considerada no grupo dos 'outros amigos que tens', eu digo que gostei da sua ideia, meu querido poeta.

Mas me deixa a par das novidades, como vai? :)

Beijos de agradecimento pelo colo de mãe ^^

Palavras de um mundo incerto disse...

iRMÃO TÕ AÍ. AMEI!

BAH, VOU ADORAR Q MAIS PESSOAS LEIAM-ME, E DESCUBRAM O QUE PENSO SOBRE POLÍTICA, VIDA, TUDO HEHEHEHE.

UM ABRAÇO E UM BEIJÃO PRA TI IRMÃO!


MUITA LUZ E AMOR AÍ PRA TI E FAMÍLIA.

COM CARINHO!


MARCOS STER

O Véio disse...

Olá, Voltei!

Concordo plenamente. O Natal não existe.


... Mas, será que podemos fazer como o idealizamos?

;-)

Libélula da Noite disse...

O natal é puuro capitalismo, mas infelizmente isso preenche o coração das pessoas de bons sentimentos ao menos uma noite..

Pelo menos na noite de natal a familia não briga, todos se reunem... enfim...
O natal tem lá suas coisas boas...

eu trabalho num shopping.. Tem ideia do quanto fiquei proxima dessa sujeira? dessa compulsão?
Frooid...

Tenha um bom restin de ano!

bju

Só Magui disse...

Feliz 2008! Sumiu porquê?

Adriano Veríssimo disse...

Alexandre, meu querido.

Estive discutindo esse capitalismo infernal semana passada. Pobres brasileiros, que se sentem felizes com dias de compras, e esquecendo que os carnês, os cartões e os cheques caem no próximo mês...Começando o mês endividados...

rs

Eu não sei se você incluiu nessa, mas eu adorei a idéia queridão.

rs

Forte abraço

Obs. vc leu minha restrospectiva? veja, leia até o fim hein!? rs